Por: Gustavo Cidade
As transformações trazidas pela Revolução Industrial e a Revolução Francesa possibilitaram o surgimento de novos hábitos e valores, novas estruturas de pensamento e práticas sociais. Michel Foucalt também se voltou para esse momento de profunda transformação, em que as instituições do Antigo Regime cederam o lugar a sistemas de organização inéditos. Seu interesse se voltou para as condições de surgimento de novos saberes e novos dispositivos disciplinares. A influência progressiva desses novos saberes e a multiplicação desses dispositivos por toda sociedade levaram, segundo ele, à consolidação de um modelo peculiar de organização social: as “sociedades disciplinares” dos séculos XIX e XX.
A emergência desse novo formato de arranjo social, com suas lógicas de controle e penalização, constitui o tema central de uma das obras mais conhecidas de Foucalt, que tem o sugestivo título Vigiar e punir: nascimento da prisão. Nesse livro, ele nos mostra como, a partir dos séculos XVII e XVIII, houve o que chama de um “desbloqueio tecnológico da produtividade do poder”. Esse desbloqueio teria permitido o estabelecimento de procedimentos de controle ao mesmo tempo muito mais eficazes e menos dispendiosos.
Durante o Antigo Regime havia critérios que permitiam identificar os indivíduos que eram capazes de se submeter às normas – “os normais” – e os que, incapazes de respeitá-las, deveriam receber como castigo a exclusão da vida em sociedade. Nesse grupo dos que eram afastados do convívio com os outros encontravam-se aqueles considerados “loucos”, “maus”, “doentes”, ou “monstros”. Ao longo da Idade Média, todos os que fossem tidos como “dementes” eram confinados na chamada “nau dos insensatos”; todos os criminosos eram condenados à pena de morte; quaisquer tipos de “deformados” eram recolhidos aos mosteiros; e os que sofriam de males físicos eram levados a hospitais que na verdade eram “depósitos de doentes”.
Foucalt lembra também que foi a partir do século XVIII que se iniciou um processo de organização e classificação científica dos indivíduos, que veio garantir uma nova forma de disciplinar e controlar a sociedade. Cada “anormalidade” passou então a ser identificada em seus mínimos detalhes por um saber especifico e a ser encaixada em um complexo quadro de “patologias sociais”.
A escola organizada de acordo com parâmetros pedagógicos é uma invenção do fim do século XVIII e início do século XIX. Acreditamos que a escola tem o poder de ensinar porque tem o poder de saber quais são os comportamentos desejáveis, quais são os conteúdos imprescindíveis e qual é a didática adequada.
O mesmo se dá com o conjunto das instituições de justiça e punição, que encontra nas prisões seu espaço de realização. O grupo dos “maus” desdobra-se em uma série de subgrupos de “personalidades criminosas”, que passa a ser objeto de um saber específico: a criminologia.

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ResponderExcluirAdorei o texto ,tá tudo bem explicado ,me ajudou mudo obrigada 🤗
ResponderExcluirOBS : muito* desculpa
ExcluirMuito obrigada , ajudou muito
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