Capitanias Hereditárias

Por: Thaiane Freitas Roldão.

             No início do século XVI, Portugal via o Brasil apenas como uma colônia de exploração e não pretendia montar aqui uma colonização de povoamento.  Ele tinha muito mais lucro com as colônias do oriente e no Brasil apenas realizava expedições que levavam o pau-brasil que os índios os entregavam em troca de quinquilharias e faziam algumas expedições que objetivavam proteger e reconhecer o litoral brasileiro.
            O medo de que o território brasileiro fosse invadido por ingleses, franceses e holandeses, por exemplo, fez com que o rei português, D. João III, decidisse colonizar e administrar o Brasil de forma que se obtivessem bons resultados. Então ele decidiu adotar o sistema das Capitanias Hereditárias, porque este era um sistema já conhecido pelos lusitanos, pois foi usado na colonização do arquipélago da Madeira.
            O rei separou o território brasileiro em 15 capitanias que iam do litoral até a linha do Tratado de Tordesilhas, eram elas: Capitania do Maranhão (eram duas), Capitania do Ceará, Capitania do Rio Grande, Capitania de Itamaracá, Capitania de Pernambuco, Capitania da Baía de Todos os Santos, Capitania de Ilhéus, Capitania de Porto Seguro, Capitania do Espírito Santo, Capitania de São Tomé, Capitania de São Vicente (também eram duas), Capitania de Santo Amaro e Capitania de Santana.
            As capitanias foram doadas a pessoas de posses e de confiança do rei. Essas pessoas eram chamadas de capitães donatários e estes eram como uma representação do rei em relação à defesa do território, a arrecadação de impostos e a zelar pela justiça. Eles seguiam os ditos da Carta de Doação (documento que dava a terra ao capitão e que proibia a venda desta, e dizia que se o dono da capitania morresse seu filho seria o novo titular da terra – por isso o nome capitania hereditária) e das Cartas Forais (diziam os direitos e deveres dos donatários).
            Dizia a Carta Foral:
1)                  O donatário deveria exercer um papel de chefe administrativo e judicial com total poder sobre sua capitania;
2)                  Ele poderia receber 10% de todas as rendas conseguidas na capitania e 1/20 dos lucros obtidos através do pau-brasil desde que não ferisse os direitos de arrecadação de Portugal;
3)                  O capitão donatário deveria encaminhar a Coroa 1/5 dos metais preciosos encontrados em suas terras;
4)                  O donatário podia ainda escravizar um número fixo de índios;
5)                  Ele deveria criar um pequeno povoado e doar suas terras aqueles que nelas pudessem trabalhar – sesmeiro – e em um prazo de dois anos a terra deveria produzir cana-de-açúcar e se isso não acontecesse a terra voltava para as mãos da Coroa portuguesa.
Muitos dizem que a Capitania Hereditária é o mesmo que a Sesmaria, mas isso não é verdade. A sesmaria é uma subdivisão da capitania hereditária. E uma diferença bem grande é que a capitania foi doada ao capitão donatário pelo rei enquanto que a sesmaria foi doada pelo capitão donatário pelo sesmeiro.
A falta de ajuda financeira do governo, sofrer constantes ataques indígenas, a distância do Brasil até Portugal ser enorme, o fato de o território a ser administrado ser muito grande o que dificultava muito a comunicação e locomoção que na época eram precários e a inexperiência de alguns capitães donatários foram fatores importantíssimos para que não tenha dado certo o sistema das Capitanias Hereditárias, exceto as capitanias de Pernambuco e São Vicente que conseguiram se salvar, pois seus lucros vinham a partir do açúcar.
            Certas vezes o descaso dos capitães era tanto que alguns nem chegavam a vir para o Brasil e outros acabavam desistindo do privilégio.
            Com o fracasso da maioria das capitanias o rei português optou por um novo sistema político-administrativo: o Governo-Geral (1548). Este sistema acabou centralizando o poder e nele os papéis que antes eram do capitão donatário passaram a ser do governador-geral.
            E em 1759, o Marquês de Pombal aboliu as capitanias hereditárias.


Referências:
VAINFAS, Ronaldo. FARIA, Sheila Siqueira de Castro. FERREIRA, Jorge Luiz. SANTOS, Georgina Silva dos. História: volume único. São Paulo: Saraiva, 2010.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS. Disponível em pt.wikipedia.org, acesso em 22/03/2014.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS. Disponível em www.suapesquisa.com, acesso em 22/03/2014.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS. Disponível em www.infoescola.com, acesso em 22/03/2014.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS. Disponível em www.historiadobrasil.net, acesso em 22/03/2014.
CAPITANIAS HEREDITÁRIAS. Disponível em www.brasilescola.com, acesso em 22/03/2014.
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